Com meu certificado de cabeleireira, ao lado do meu professor
do Senac, Eddy Oliveira, que trabalha no JG Hair
Impressionante como ainda há pessoas que se surpreendem ao saber que estou me especializando em cabelos. Digo isso porque sou jornalista, e as pessoas não conseguem juntar uma coisa com a outra. Também paira no ar uma espécie de ‘preconceito hierárquico de formação’. Não sabia que isso existia, mas existe sim. 
Nos meus primeiros dias de aula, no curso de cortes do Senac, durante uma avaliação que fazia no couro cabeludo da minha amiga Ana Evangelista (atividade solicitada pelo professor), eu dizia a ela: “Aparentemente está tudo normal com seu couro cabeludo. Não percebo nenhuma anormalidade”. Eis que escuto uma voz às minhas costas ( isso porque vem daquele tipo de pessoa que não tem peito pra falar na cara): ” Gente, tem uma cabeleireira metida entre nós”. Confesso que fiquei em choque. Percebi nitidamente que ela se dirigia a mim, mas no momento não consegui esboçar nenhuma reação que não fosse desprezo e indignação. Respirei fundo e voltei à atividade, mas internamente me questionava: Metida? Eu? Mas porque? O que eu falei que poderia ter gerado àquela interpretação de minha colega de classe? Foi quando em uma outra aula, minha amiga Keli  me esclareceu o ocorrido: ” Tem gente que acha que a pessoa é metida pelo simples fato dela pronunciar o português corretamente”. – Como é que é??? ( logo pensei). Quer dizer que eu havia sofrido uma espécie de ‘preconceito hierárquico de formação’ por não ser uma semi-analfabeta? Como isso poderia ser possível? Enfim, era. 
Amigos queridos: (Da esq.para dir): Jack Araujo, Weslley Martins,
Ruth Freitas, Luciano Valentim e Ana Evangelista
Achei todo este episódio lamentável, mas serviu para que eu ficasse de alerta para este tipo de coisa. Mas para a minha sorte, tirando este ponto fora da curva, tive um ótimo relacionamento com meus colegas de classe, que não fizeram distinção da minha pessoa por eu ter uma formação superior, muito pelo contrário, eles sabiam que eu não era melhor nem pior do que ninguém, e estava ali para aprender algo novo, que para muitos deles já era corriqueiro, pois a maioria já tem uma rotina de trabalho em salão, seja como assistente, ou como cabeleireiro atuante mesmo. 
Confesso que a princípio tive muita dificuldade, e se não fossem meus amigos: Jack Araujo, Ana Evangelista, Keli Costa, Ruth Freitas, Weslley Martins, Luciano Valentim, Keli Costa, Ricardo e Cintia, para me darem aquela força, seja moral, ou na prática mesmo, não sei se teria conseguido ir adiante, apesar da minha determinação.
Tive que sair junto, não teve jeito!
Afinal, o que seria de mim sem eles?
Se não fosse a Jack pegar na minha mão, não teria aprendido o posicionamento de dedo correto, principalmente o da linha diagonal para cima, que mais me atormentou. A Ana, muitas vezes, percebendo a minha dificuldade, parou o que estava fazendo para me ensinar a melhor forma de segurar na tesoura, além de me orientar na escova e usar meu cabelo para seus penteados magníficos. Rutinha e Weslley também são outros feras na escova lisa, e me ajudaram horrores, em momentos em que eu queria jogar o secador pela janela. Inclusive, fui agraciada pelo Weslley com uma escova fantástica, sendo que a minha, segundo ele, era um horror! Graças ao Ricardo, consegui desenvolver meu estilo próprio de corte e fugir dos temerosos ‘dedinhos’. E eu lá tenho culpa de ter nascido com o dedo torto??? Os queridos: Luciano, Keli e Cíntia sempre me incentivaram e estiveram ao meu lado, mesmo quando minha boneca parecia um personagem de ficção científica no pós-corte. Eles me diziam: ” É esse cabelo que não ajuda” e nunca: “Você que fez essa merda?”. Adorava quando o Lu ou o Weslley diziam que meu corte mal feito era um Llongueiras (escola espanhola reconhecida mundialmente pelos seus cortes modernos). Sabia que não era verdade, mas tentava acreditar rss
No meu último dia de aula.
 Feliz porque havia ganhado um penteado da Ana
E claro que eu não poderia deixar de citar nessa matéria o meu professor, Eddy Oliveira, que se desdobrava para dar a atenção devida a 30 alunos, além de me amparar diante das minhas piores frustrações. Ele também me dizia que minha primeira boneca não ajudava porque o cabelo era 100% sintético, embora eu tenha pago por uma 50/50 (Não comprem boneca na Ikesaki, pelo amor!) e rapidamente me socorreu quando fui fazer meu primeiro corte à máquina, e segurava o aparelho como se fosse um cortador de grama.
(Ainda acho pesado. E não, a academia não ajuda). E não poderia deixar de citar nessa matéria, meu marido maravilhoso, o Daniel Zago, que me incentivou desde sempre a investir nesse curso, e que sempre me ajuda nesse blog, seja com fotos e/ou vídeos, além de sugestões e críticas. E que mesmo exausto, após uma longa jornada de trabalho, saía tarde da noite de casa, durantes várias segundas, quartas e sextas para me buscar no curso. Lembro-me também que após meu primeiro dia de aula, quando ele veio me buscar, chegou com uma linda caixa azul onde estavam as tesouras que usei até o último dia de aula. Agradeço também o meu bbcão, Gogue Zago, pelas lambidas matinais, inclusive na boca, que me deram forças para levantar da cama e sair em busca dos meus ideais. Enfim… tive muito apoio nestes meses de aprendizado, que me fizeram me apaixonar ainda mais pela área da beleza. 
Um close do penteado que minha amiga Ana Evangelista fez em mim. Um luxo, não? 
Parte de trás do penteado: adorei o puff de cachos!!!
Acho que nesse momento eu já posso tomar parte das palavras da Virgínia Sanchez como minhas: Sou jornalista por formação e cabeleireira por paixão. E para quem pensa que eu parei por aqui, muito se engana. Já estou fazendo meu curso de coloração e outros virão. Quer cortar comigo? Escreva para preciosasbobagens@gmail.com, que a gente combina! Quer fazer um penteado com a Ana? Escreva para o mesmo e-mail que eu passo o contato dela!
Com minha amiga Ana, que fez esse penteado incrível no meu cabelo! 
  1. Laiane Nascimento says:

    Que bacana sua trajetória, Sabrinah!!!Meu nome é Laiane e eu tenho uma história parecida: tenho formação na área de História, mas por não ter me identificado com a sala de aula (infelizmente…), fui em busca de outro interesse:cabelo. Tenho o cabelo crespo natural, e por sentir na pele todas as dificuldades, fui buscar o curso de cabeleireiro do Senac, que infelizmente tb deixa lacunas em relação ao cabelo crespo natural, no que diz respeito a tratamento, corte, etc. Sua história contribui muito para que eu continue na área e busque cada vez mais me especializar nessa área que é tão carente. Obrigada!!!!

    • sabrinah says:

      Fico muito feliz por você, Laiane, mas realmente, só o Senac é insuficiente. Eu recomendo o curso da Deva para quem quer se especializar em cacheados e crespos. Foi um dos melhores que eu já fiz. bjks e boa sorte!

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